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Meditação
Ego, o
Falso Centro - Osho
O primeiro
ponto a ser compreendido é o ego.
Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer
consciência de seu próprio eu.
A primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela
mesma: se torna consciente do outro.
O nascimento é isso: significa vir a este mundo, o mundo
exterior.
É desta maneira que a criança cresce. Primeiro ela se torna
consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco,
contrastando com você, tu, ela se torna consciente de si
mesma.
Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está
consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da
mãe e do que esta pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se ela
aprecia a criança, se diz: "Você é bonita", se ela a abraça e
a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Agora
um ego está nascendo. Através da apreciação, do amor, do
cuidado, ela sente que é boa, ela sente que tem valor, ela
sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse
centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A
criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os
outros pensam a seu respeito.
E esse é o Ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se
ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a
aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce -
um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida; sentindo-se
inferior, sem valor. Isso também é o ego. Isso também é um
reflexo.
Primeiro a mãe - e mãe, no início, significa o mundo. Depois
os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto
mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque
muitas opiniões dos outros são refletidas.
O ego é um fenômeno acumulativo, um subproduto do viver com os
outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca
chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela
permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a
conhecer o seu verdadeiro eu, não.
O Verdadeiro pode ser conhecido somente através do falso,
portanto, o ego é uma necessidade. Temos de passar por ele.
Ele é uma disciplina. O verdadeiro pode ser conhecido somente
através da ilusão. Você não pode conhecer a verdade
diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é
verdadeiro; o que é falso. Através desse encontro, você se
torna capaz de conhecer a verdade.
Se você conhece o falso como falso (torna-se consciente), a
verdade nascerá em você.
O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um
subproduto social.
Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá
para a escola e o professor refletirá quem você é. Você fará
amizade com outras crianças e elas refletirão quem você é.
Pouco a pouco, todos estão adicionando algo ao seu ego, e
todos estão tentando modificá-lo, de tal forma que você não se
torne um problema para a sociedade. Eles não estão
interessados em você, mas sim, na sociedade. Eles não estão
interessados no fato de que você deveria se tornar um
conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma
peça eficiente no mecanismo da sociedade.
Você deveria ajustar-se ao padrão. Assim, estão tentando
dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a
moralidade, que significa dar-lhe um ego que se ajustará à
sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado
em um lugar ou outro. A sociedade não se preocupa com
moralidade. Moralidade significa simplesmente que você deve se
ajustar à sociedade. A moralidade é uma política social. É
diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que
ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade
está interessada em membros eficientes. A sociedade não está
interessada no fato de que você deveria chegar ao
auto-conhecimento (ao conhecimento do Ser Divino que você é!).
A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e
manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado.
A criança necessita de um centro; a criança está absolutamente
inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um
centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que este é
o seu centro, o ego dado pela sociedade. O ego está sempre
abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o
aprecie. É por isso que você está continuamente pedindo
atenção. Você obtém dos outros a idéia de quem você é. Não é
uma experiência direta. Eles modelam o seu centro. Esse centro
é falso, porque você contém o seu centro verdadeiro; ninguém o
modela, você vem com ele, nasce com ele. Assim, você tem dois
centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela
própria existência. Este é o eu. E o outro centro, que é
criado pela sociedade - o ego. Ele é algo falso - e é um
grande truque. Através do ego a sociedade está controlando
você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque
somente então a sociedade o aprecia. Você tem que caminhar de
uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você
tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um
código. Somente então a sociedade o apreciará, e se ela não o
fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado,
você já não sabe onde está, quem você é.Os outros deram-lhe a
idéia. Essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais
profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora ou
nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar condicionado, no
centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o
eu.
Haverá um período intermediário, um intervalo, quando o ego
estará despedaçado, quando você não saberá quem você é, quando
você não saberá para onde está indo, quando todos os limites
se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.
Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que
ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o
centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto.
Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente
começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito
longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas.
Precisamos ser ousados, corajosos, dar um passo para o
desconhecido. Por um certo tempo, todos os limites ficarão
perdidos. Por um certo tempo, você vai sentir-se atordoado.
Por um certo tempo, você vai sentir-se muito amedrontado e
abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não
voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um
centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado
por muitas vidas. Uma vez que você se aproxime dele, tudo
muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse
assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna
um cosmos e não um caos; nasce uma nova ordem; não é a ordem
da sociedade - é a própria ordem da existência. Não é feita
pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de
repente, tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez,
realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem
ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é
tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas.
A diferença é a mesma que existe entre uma flor verdadeira e
uma flor de plástico ou de papel. O ego é uma flor de
plástico, morta. Não é uma flor, apenas parece com uma flor. E
essa coisa de plástico é apenas uma coisa e não um florescer.
Ela está morta. Não há vida nela. Você tem um centro que
floresce dentro de você. Por isso os hindus o chamam de lótus
- é um florescer. Chamam-no de o lótus das mil pétalas. Mil
significa infinitas pétalas. O centro floresce continuamente,
nunca para, nunca morre. Mas você está satisfeito com um ego
de plástico. O ego tem uma certa qualidade - ele está morto. É
de plástico e é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a
você (doações de fora). Você não o precisa procurar; a busca
não é necessária para ele. Por isso, a menos que você se torne
um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se
tornado um indivíduo. Você será simplesmente uma parte da
multidão.
Você é apenas uma turba (uma multidão em desordem).
Quando você não tem um centro autêntico como você pode ser um
indivíduo?
O ego não é individual: é um fenômeno social, não é você. Mas
ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E
se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a
oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz.
Com uma vida de plástico, como você pode ser feliz?
Com uma vida falsa, como você pode ser extático e
bem-aventurado? E esse ego cria muitos tormentos, milhões
deles. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente
observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o
ego é a causa do sofrimento. E o ego continua encontrando
motivos para sofrer. O ego entra em conflito com outros
continuamente porque cada ego está extremamente inseguro de si
mesmo. Tem que estar - ele é uma coisa falsa. Quando você nada
tem nas mãos, mas acredita ter algo, então haverá um problema.
Se alguém disser: "Não há nada", imediatamente começa a briga
porque você também sente que não há nada. O outro o torna
consciente desse fato. O ego é falso, ele não é nada. E você
também sabe isso - você, como um ser consciente, não pode
deixar de saber que o ego é simplesmente falso. Um homem que
alcança a consciência do eu nunca se encontra em conflito
algum. Outros podem vir e entrar em choque com ele, mas ele
nunca está em conflito com ninguém.
Somente uma coisa é necessária: simplesmente observar e ver
que o ego é a origem de toda a infelicidade. Apenas,
aquiete-se e observe. Você tem que chegar a esse entendimento.
Sempre que você estiver infeliz, apenas feche os olhos e não
tente encontrar alguma causa externa. Tente perceber de onde
está vindo essa miséria: ela está vindo do seu próprio ego. Se
você continuamente percebe e compreende, e a compreensão de
que o ego é a causa chega a se tornar profundamente enraizada,
um dia você repentinamente verá que ele desapareceu.
Ninguém o abandona - ninguém o pode abandonar. Você
simplesmente vê; ele simplesmente desapareceu, porque a
própria compreensão de que o ego é a causa de toda
infelicidade, se torna o abandonar. A própria compreensão
significa o desaparecimento do ego.
É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego dos
outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar. Tente
ver o seu próprio ego. Simplesmente aquiete-se e o observe.
Não tenha pressa de o abandonar, simplesmente o observe.
Quanto mais você observa, mais capaz você se torna.
De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele
desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente
então ele realmente desaparece. Não existe outra maneira.
Você não o pode abandonar prematuramente.
Ele cai exatamente como uma folha seca.
A árvore não está fazendo nada - apenas uma brisa, uma
situação, e a folha seca simplesmente cai. A árvore nem mesmo
percebe que a folha seca caiu. Ela não faz qualquer barulho,
ela não faz qualquer anúncio - nada.
A folha seca simplesmente cai e se despedaça no chão, apenas
isso.
Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da
consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a
causa de toda a sua infelicidade, um, dia você simplesmente vê
a folha seca caindo.
Ela pousa no chão e morre por si mesma. Você não fez nada,
portanto você não pode afirmar que você a deixou cair. Você vê
que ela simplesmente desapareceu, e então o verdadeiro centro
surge. E este centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a
verdade, ou como o quiser chamar.
Ele é inominável, assim, todos os nomes são bons.
Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir.
Por isso: AQUIETA-TE E SABE!
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